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Início > Últimas notícias > 09/08/2019 09:02
   
 

  Registros de violência doméstica aumentam mais de 84% em Goiás

Thaynara Cunha
www.emaisgoias.com.br Foto: Associated Press

Em Goiás, o número de ocorrências registradas por crimes de violência doméstica aumentou 84,6% em 2019. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), foram 2.2 mil registros a mais que o mesmo período de 2018 (2,6 mil). Este número, porém, não significa um aumento na prática do crime, e sim que as vítimas de relacionamentos abusivos estão procurando ajuda.

A quantidade de medidas protetivas solicitadas diretamente na Delegacia Estadual de Atendimento a Mulher (Deam) também aumentou. Só o primeiro semestre de 2019 já superou o total de solicitações realizadas durante o ano todo de 2018. Foram 1.533. Isso significa 124 a mais que o ano passado. O primeiro semestre de 2018 registrou apenas 659 solicitações.

Para a titular da Deam, delegada Paula Meotti, a estatística é positiva. Porque significa que as vítimas estão mais atentas aos sinais de abuso e com mais forças para denunciar. “Podemos dizer que as mulheres sempre sofreram violência doméstica, mas nem sempre conseguiam denunciar. Hoje, grande parte das mulheres já tem consciência de boa parte de seus direitos e já está sabendo detectar se está vivendo em um relacionamento abusivo. Elas não aceitam mais se sujeitar a situações de constrangimento e violência”, declara.

Segundo a delegada, somente em 2019 foram enviados 30 inquéritos a mais de violência doméstica para a Justiça. “Quando uma vítima de violência doméstica nos procura, a gente explica que ela tem a possibilidade de pedir uma medida protetiva contra o agressor. Caso ela manifeste interesse, aí nós remetemos o pedido no mesmo dia à Justiça”, salienta.

Equipe de apoio

“Nós recebemos mulheres com todos os tipos de realidade social e tipos de violência. O estado emocional delas é muito variável: algumas que foram ameaçadas estão muito mais abaladas do que as vítimas de agressão física ou vice-versa. Mas de uma forma geral, todas as mulheres que vêm até nós estão muito abaladas emocionalmente”, explica a delegada. Segundo ela, algumas vítimas têm recorrido à polícia logo na primeira ameaça. “Contudo, infelizmente muitas mulheres ainda têm medo de procurar ajuda”.

A Deam tem mudado o atendimento às vítimas de violência doméstica. Hoje a delegacia tem uma equipe multidisciplinar à disposição das mulheres. A sala de atendimento psicológico e de assistência social têm decoração diferente. A ideia é deixá-las mais à vontade no espaço para que sintam confiança nos profissionais.

As vítimas podem ser atendidas no plantão psicológico até quatro vezes. Caso os profissionais entendam que a mulher deve continuar com os atendimentos, eles elaboram um relatório remetendo a vítima para a Rede de Proteção à Mulher.

Dentre as violências mais constatadas pela Deam estão a violência física, moral, psicológica, patrimonial (quando o agressor subtrai os objetos da vítima ou as danifica) e sexual (em casos de estupro ocorridos no relacionamento).

“A mulher tem que trabalhar muito a sua autoestima a todo o tempo. Deve fortalecer o seu amor próprio. Assim ela terá consciência de que não merece ser diminuída por nenhum parceiro. Um relacionamento deve ser pautado no amor, respeito, admiração e cumplicidade. Ela deve conhecer seus limites e exigir que o parceiro os respeite. Caso ele [parceiro] não a respeite, ela deve desistir desse relacionamento e buscar uma maneira de ser verdadeiramente amada e feliz”, conclui.

Denuncie

Para denunciar casos de violência doméstica ou para tirar dúvidas, basta entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo 180. A ligação é gratuita e confidencial. Funciona 24h por dia, de segunda a domingo, em todo o Brasil. O serviço é da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos (MDH).

“Além de registrar denúncias de violações contra mulheres, encaminhá-las aos órgãos competentes e realizar seu monitoramento, o Ligue 180 também dissemina informações sobre direitos da mulher, amparo legal e a rede de atendimento e acolhimento”, explica a MDH.

   
 
   
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